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Prefeito foge da Venezuela pela mata e denuncia 24 mortes

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Vitimas teriam sido atingidas em confronto com a Guarda Nacional Bolivariana nos últimos dois dias; ONG Venezuela fala em oito mortes

PACARAIMA — O político opositor venezuelano  Emilio González,  prefeito do município de Gran Sabana, cuja capital é Santa Elena  de Uairén  — a 15 quilômetros da fronteira com Brasil  — denunciou no início da noite deste domingo que os corpos de 24 pessoas mortas em confronto com militares e milícias pró-governo da Venezuela foram recolhidos na região administrativa gerida por ele. O prefeito González fugiu com sua comitiva para  o Brasil depois que civis de sua cidade  foram atacados pelos militares leais a Nicolás Maduro.

O que havia sido confirmado anteriormente eram as mortes de dois indígenas pela Guarda Nacional Bolivariana a 70 quilômetros da fronteira brasileira, na sexta-feira, e de quatro pessoas em Santa Elena por milícias, no sábado.  Enfermeiros venezuelanos confirmaram ao GLOBO que até agora quatro mortos chegaram ao hospital de Santa Elena, além de  45  feridos a bala. Já a ONG venezuela Provea confirmou a morte de oito pessoas na região, e agora investiga as cifras que mencionam entre 14 e 25 vítimas fatais. 

As vítimas teriam sido atingidas em confronto com a Guarda Nacional Bolivariana em Santa Elena nos últimos dois dias. Segundo o prefeito, três mil militares desembarcaram fortemente  armados, em oito comboios, na capital no sábado à tarde. Ele acredita que os números devem subir à medida em que a prefeitura conseguir recolher os corpos, a maioria localizada em regiões ermas.

O hospital conta com apenas uma ambulância e, sem medicamentos, não tem condições de atender as vítimas, relatou ao GLOBO o enfermeiro Rack Ramsame, que trabalha no local.  O cenário no município vizinho é de tanques e guardas fortemente armados nas ruas.

— Hoje eu fiz três viagens (para o Brasil) com feridos à bala.

Oito pessoas, entre assessores  e um grupo de escolta, fizeram uma caminhada de seis horas por trilhas abertas na selva para relatar os abusos  ao governo à imprensa brasileira. O prefeito denunciou que a Guarda Nacional disparou contra a população civil, que protestava desarmada. No grupo de 3 mil militares havia, segundo a equipe do prefeito, grupos de milicianos.

Uma venezuelana de 39 anos relatou ao G1 que os conflitos na cidade entre guardas nacionais e civis pareciam uma zona de guerra: “Havia muitas pessoas feridas e ouvíamos muitos barulhos de tiro”.

Segundo ela, a cidade amanheceu deserta e destruída neste domingo, e o clima ainda é de tensão.

“Ontem (sábado) foi terrível. Ouvíamos muitos tiros, gritos de pessoas feridas na rua. Ficamos com muito medo, medo de morrer”, relatou ela, afirmando que mora a cerca de 2 km do Centro, onde os confrontos foram mais intensos.

Os sindicatos que controlam garimpos também teriam enviado milícias armadas e fardadas como militares. Os empresários do garimpo são fiéis aliados de Maduro, e disputam há décadas as minas de pedras preciosas da região de Gran Sabana com os territórios indígenas.

Fonte: O Globo

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