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Barriga de aluguel: A mulher de 61 anos que engravidou para que filho gay pudesse ser pai

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Uma Louise com os país, Matthew Eledge e Elliot Dougherty e sua avó, Cecile Eledge

Uma Louise com os país, Matthew Eledge e Elliot Dougherty e sua avó, Cecile Eledge

Ariel Panowicz / www.arielpanowicz.com/ BBC NEWS BRASIL

Uma americana de 61 anos deu à luz a sua própria neta na semana passada ao emprestar sua barriga para a gestação do bebê de seu filho homossexual e do marido dele.

Cecile Eledge vive no Estado de Nebraska, nos Estados Unidos. Ela e a recém-nascida, Uma Louise, passam bem.

A criança é a primeira filha de Matthew Eledge, filho de Cecile, e do marido dele, Elliot Dougherty.

Em entrevista à BBC, Cecile diz ter partido dela a iniciativa de se oferecer como barriga de aluguel quando Matthew e Elliot disseram que queriam constituir uma família. Inicialmente, todos achavam se tratar de uma brincadeira. “É claro que todos riram.”

“Foi muito bonito da parte dela. Ela é uma mulher muito desprendida”, diz Elliot.

Foi apenas quando Matthew e Elliot começaram a pesquisar opções para ter um bebê que ouviram de um médico especialista em reprodução assistida que a oferta de Cecile parecia ser uma opção viável.

Ela passou por uma entrevista e por uma bateria de testes. Ao final do processo, recebeu a luz verde de que poderia emprestar a barriga para a gestação da neta.

“Sou muito preocupada com minha saúde”, diz ela. “Não havia razão alguma para duvidar que eu pudesse gestar o bebê.”

Lea Yribe, irmã de Elliot e doadora dos óvulos, Matthew, Elliot e Cecile

Lea Yribe, irmã de Elliot e doadora dos óvulos, Matthew, Elliot e Cecile

Matthew forneceu o esperma e a irmã de Elliot, Lea, doou os óvulos.

Elliot, que trabalha como cabeleireiro, diz que, embora casais heterossexuais costumem considerar a fertilização in vitro como último recurso, para eles era sua “única esperança” de gerar um filho biológico.

Cecile diz que a gravidez transcorreu tranquilamente, embora tenha tido mais efeitos colaterais do que nas gestações de seus três filhos anteriores.

E, surpreendentemente, a idade avançada para a gravidez não foi um empecilho para a gestação.

Elliot e Matthew veem filha Uma pela primeira vez

Elliot e Matthew veem filha Uma pela primeira vez

Prova disso foi que, uma semana depois de ter o embrião implantado, Matthew e Elliot compraram um teste de gravidez para verificar se a fertilização havia sido bem-sucedida.

“Os médicos nos pediram para não fazer isso, mas os meninos estavam ansiosos”, lembra Cecile às gargalhadas.

 Uma com os pais, Elliot e Matthew

Uma com os pais, Elliot e Matthew

Ariel Panowicz / www.arielpanowicz.com/ BBC NEWS BRASIL

Ela conta que ficou arrasada ao ver os resultados negativos. Mas, horas depois, quando seu marido chegou em casa para consolá-la, viu o que ela não tinha visto: uma segunda linha rosa no teste, confirmando a gravidez.

“Foi um momento de grande alegria”, relembra Cecile, que foi alvo de brincadeiras por causa de sua visão.

Cecile conta que a reação à sua gravidez foi em grande parte positiva, acompanhada por leve “choque” por parte de seus dois outros filhos, os irmãos de Matthew. “Mas todos me apoiaram.”

Cecile Eledge e sua neta, Uma Louise

Cecile Eledge e sua neta, Uma Louise

Obstáculos à gestação

Mas a gestação não foi um processo fácil. Embora o casamento gay tenha sido legalizado desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em 2015, Nebraska não possui leis estaduais que punam a discriminação com base na orientação sexual. Até 2017, o Estado proibia a adoção de crianças por casais homossexuais.

Cecile diz que também lutou, sem sucesso, para que seu plano de saúde pagasse suas despesas médicas – que teriam sido cobertas se ela estivesse parindo seu próprio filho. E devido a uma lei que designa a pessoa que dá à luz como mãe, a certidão de nascimento de Uma inclui Cecile como mãe, ao lado de seu filho, excluindo Elliot.

“Esse é um dos pequenos exemplos que criam obstáculos para nós”, diz.

Matthew virou notícia quatro anos atrás, quando foi demitido de seu emprego em uma escola católica depois de informar à direção que ele e Elliot planejavam se casar.

Sua demissão provocou indignação na comunidade, levando pais e ex-alunos a criar uma petição on-line contra a escola.

O abaixo-assinado virtual somou 102.995 assinaturas.

Famílias Eledge e Dougherty no dia do nascimento de Uma

Famílias Eledge e Dougherty no dia do nascimento de Umaq

Cecile conta que decidiu compartilhar sua história para combater manifestações de ódio contra a comunidade LBGTQ+ e mostrar que “há esperança lá fora”.

“Estou aprendendo a não levar nada para o lado pessoal”, diz ela sobre as reações negativas. “Em última análise, temos uma família, temos amigos, temos uma comunidade enorme que nos apoia.”

Matthew e Elliot no dia do nascimento de Uma

Matthew e Elliot no dia do nascimento de Uma

Uma semana após o nascimento de Uma, Cecile diz que ela e sua neta passam bem.

“Essa garotinha está cercada de tanto apoio, ela vai crescer em uma família amorosa”, diz ela. “É assim que deve ser.”

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